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O CLÃ DA BANDEIRA BRANCA
Reuniu Teatro e Literatura, o espetáculo de Rodrigo Leste foi apresentado para alunos e professores do Colégio Dom Cabral na quinta feira, 9 de maio, a peça O CLÃ DA BANDEIRA BRANCA. O espetáculo é uma realização do Projeto Literatura em Cena, de Belo Horizonte.
A montagem tem texto, direção e interpretação de Rodrigo Leste que se inspira nas obras de grandes autores como Gil Vicente, Fernando Pessoa, Artur Azevedo, Guimarães Rosa, Millôr Fernandes e João Ubaldo Ribeiro. O autor dialoga de maneira livre com textos teatrais, contos, crônicas e poemas dos já referidos autores. A peça procura fazer com que autores considerados difíceis como Gil Vicente, possam ser melhor compreendidos e assimilados pelos jovens espectadores, público alvo da produção.
O CLÃ DA BANDEIRA BRANCA, como é constante nas realizações do Projeto Literatura em Cena, pretende ser uma ferramenta útil a professores e alunos na análise e estudo das grandes obras escritas em língua portuguesa. Certamente os recursos teatrais fizeram com que textos de uma mais difícil compreensão pudessem ser mais acessíveis aos espectadores. A fusão de literatura e teatro traz a proposta de fornecer o "audio visual", a linguagem que tem maior poder de comunicação com gerações que encontram nos livros um terreno árido e pouco convidativo. E é sempre importante frisar que a proposta da peça e do projeto não é substituir a leitura, muito pelo contrário, é mostrar o prazer que textos bem escritos podem proporcionar, promovendo, em última análise, o resgate do saudável hábito da leitura. A assessoria literária é do Professor Antônio Sérgio Bueno.

Em O CLÃ DA BANDEIRA BRANCA, o ator Rodrigo Leste, utilizou-se de um arsenal de técnicas teatrais para criar uma vasta galeria de tipos e personagens que interpreta. Com um estilo que se aproxima da "farsa", o ator criou uma série de desdobramentos para colocar em cena homens, mulheres, heróis e vilões, trouxas e malandros, ingênuos e descolados, numa tropicalíssima geléia geral. O resultado foi um espetáculo ágil, leve, divertido, que fala a língua dos jovens e prende a atenção de platéias menos afeitas a atividades dessa natureza.
Além dos textos literários, a peça promoveu através do narrador, o DJ Big Boy*, uma reflexão sobre a urgência da humanidade repensar seus valores, abandonando a vertente bélico armamentista em prol de uma nova postura de não violência e paz a ser atingida com o desarmamento total, geral e irrestrito (proposta sabidamente romântica e utópica do autor). Essa postura, que abrange áreas do conhecimento como a filosofia, a ética e a sociologia, baseia-se na proposta de não violência criada e empregada pelo indiano Mahatma Gandhi.
O CLÃ DA BANDEIRA BRANCA tem a supervisão cênica e de texto do escritor Sérgio Fantini, fotos e programação visual, Bruno Lima, figurino e adereços, Bete Hernandez, trilha sonora do Studio Katmandu. A produção é do Grupo Nós Mesmos.
O espetáculo é mais uma realização do Projeto Literatura em Cena. Em 25 anos de existência, o Projeto é responsável pela encenação de obras de grandes autores como Álvares de Azevedo, Machado de Assis e Manuel Bandeira.
* Big Boy foi o primeiro grande DJ do rádio brasileiro. Na década de sessenta na Rádio Mundial do Rio de Janeiro ele produziu e apresentou "O Show do Big Boy" que causou furor naqueles anos em que o país vivia sob o regime do medo imposto pela ditadura militar. Big Boy morreu jovem, mas teve importantes seguidores como o também saudoso Abelardo Chacrinha, famoso pela "Buzina do Chacrinha".
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